Cap 2 - O Nazismo e a Igreja Cristã
Abril 6, 2008 de eliybarbosa
“VOCÊS NÃO PODEM BEBER DO CÁLICE À MESA DO SENHOR E TAMBÉM À MESA DE SATANÁS. NÃO PODEM COMER PÃO TANTO À MESA DO SENHOR COMO À MESA DE SATANÁS” (I CORÍNTIOS 10.21)
É impossível olhar o nazismo e a ascensão de Hitler sem considerarmos: onde estava a Igreja Cristã neste período? Qual foi a reação do Corpo de Cristo durante aqueles anos de barbáries inomináveis? Como o cristianismo influenciou e impactou o governo nazista? Pense nisso!
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As crianças Jacinta, Francisco e Lúcia.
Em maio de 1917, três crianças analfabetas de Fátima, Portugal, viram a Virgem Maria pela primeira vez. A Virgem tornou a aparecer mais cinco vezes até outubro daquele ano. As crianças Francisco e Jacinta apenas viram, mas Lúcia de Jesus Santos, de 10 anos, recebeu uma mensagem especial.
Esta mensagem previa o fim da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), o começo da 2ª (1939-1945) e o mais importante: o flagelo que seria imposto ao mundo pela Rússia (“… os erros dela se espalhariam pelo mundo inteiro, causando guerras e perseguições…”) e a sua futura conversão ao cristianismo. As orientações daquela Senhora induziram o Papa a consagrar seu Imaculado Coração e a consagrar a Rússia.
Quando criança, Hitler recebeu “lições de canto no coro paroquial de Lambach” e, se tornar sacerdote, era então sua “aspiração mais elevada”. (Hitler, Adolf. Minha Luta. Obra citada. Pág. 16) Hitler também iria conhecer o padre Adolf Joseph Lanz, um ardoroso defensor da raça ariana.
Com o padre Lanz, ele aprendeu que o ariano possui “a mais elevada semelhança de Deus”, “a maravilha do Criador”. (Hitler, Adolf. Minha Luta. Obra citada. Pág. 241)
Hitler acreditava que “a missão da conservação e do progresso de uma raça superior escolhida por Deus é que deve ser vista como a mais elevada”. (Hitler, Adolf. Minha Luta. Obra citada. Pág. 250)
Diante do prestígio do Partido Nazista nas urnas, em 30 de janeiro de 1933, o então presidente Paul von Hindenburg ofereceu a Hitler o cargo de Chanceler:
“Com um discurso moderado, Hitler proclamou sua obediência aos princípios tradicionais. A missão do governo, disse, seria ‘restabelecer a unidade de espírito e de vontade do povo alemão’. Como? Protegendo a família, célula constitutiva do povo e do organismo estatal; mantendo o cristianismo…” (Lições do Nazismo. Jornal O Estado de São Paulo. Artigo citado)
Mas cerca de 9 anos antes, em seu livro Mein Kampf (Minha luta - 1924), Hitler já havia classificado o cristianismo como “o primeiro terror espiritual”. (Hitler, Adolf. Minha Luta. Obra citada. Pág. 282)
Neste período, o núncio papal em Berlim era Eugênio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli, que seria o futuro Papa Pio XII. Ele ajudou Hitler a chegar ao poder, forçando o Partido Católico a votar nele. Eugênio Pacelli patrocinou uma política que apoiava ao fascismo na Itália e ao nazismo na Alemanha. Isto com o objetivo de cumprir a profecia da Senhora de Fátima, em relação à Rússia, pois o fascismo e o nazismo esmagariam o comunismo.
Congresso da Igreja Evangélica Alemã em Berlim, 13 de Novembro de 1933 - observe as suásticas nazistas
Alguns anos depois, em 1927, na Turíngia surgia o movimento dos Cristãos Alemães (Deutsche Cristen). O objetivo deste movimento protestante era contextualizar a igreja e popularizar o cristianismo na Alemanha. Mas logo a Igreja Evangélica Alemã se aliou ao nazismo e passou a apoiar Hitler quando este subiu ao poder em 1933.
Após subir ao poder, em abril de 1933 Hitler criou uma polícia especial chamada de GESTAPO (Geheime Staatspolizei). Três anos depois a Gestapo conseguiria plenas liberdades para interrogatórios especiais aos quais deveriam serem submetidos os poloneses, comunistas, russos, marxistas, terroristas, agentes de ligação, sabotadores, marginais, trabalhadores insubordinados, vagabundos e estudiosos da Bíblia.
Foi justamente a GESTAPO o órgão utilizado para por em prática a solução final que culminou com a morte de 6.271.600 judeus, 500 mil ciganos e 635 Testemunhas de Jeová. Muitas destas Testemunhas traiçoeiramente denunciadas pelos líderes das Testemunhas de Jeová na Alemanha, Erich Frost e Fritz Winkler. (Revista Der Spiegel, Pág. 38-39, 19 de Julho de 1961; Anuário das Testemunhas de Jeová, Pág. 214, edição de 1975)
Por isso em 1933 os nazistas invadiram a sede das Testemunhas de Jeová em Magdebug. O então presidente mundial das Testemunhas de Jeová J. F. Rutherford, enviou uma Declaração de Fatos para Hitler, procurando ganhar sua simpatia, onde afirmou:
“O governo atual da Alemanha declarou-se enfaticamente contra os opressores do Grande Comércio e em oposição à influência religiosa errada nos assuntos políticos da nação. Essa é exatamente a nossa posição: …Longe de estarmos contra os princípios advogados pelo governo da Alemanha, nós apoiamos sinceramente esses princípios e sublinhamos que Jeová Deus através de Jesus Cristo causará a realização completa destes princípios…” (1934 Yearbook Of Jehovah’s Witnesses [Anuário das Testemunhas de Jeová de 1934], ‘Declaration of Facts’ [Declaração de Fatos], (The Watchtower Bible & Tract Society, 1933). Pág. 135-136, edição de 1934)
Esta Declaração de Fatos também afirmava: “[Os] Estudantes da Bíblia (nome dado as Testemunhas de Jeová) estão lutando pelos mesmos objetivos e ideais elevados e éticos que o Reich alemão nacional proclamou a respeito do relacionamento do Homem com Deus… não existem pontos de vista conflitantes… mas antes, pelo contrário, no que diz respeito aos objetivos puramente religiosos e apolíticos… estes estão em harmonia completa com… o Governo Nacional do Reich alemão.” (Penton, M. James, “A Story of Attempted Compromise: Jehovah’s Witnesses, Anti-Semitism, and the Third Reich,” [Uma História da Tentativa de Compromisso: As Testemunhas de Jeová, o Anti-semitismo e o Terceiro Reich], pág. 79. Christian Quest Journal, Vol. 3, No. 1, Primavera 1990, ed. M. James Penton, (Pub. Robert S. Righetti, Idyllwild, CA))
Embora seja evidente que as Testemunhas de Jeová não acreditavam no Nazismo, essas declarações as tornam tão culpadas quanto os demais da Igreja Cristã.
Bancada com protestantes e nazistas. Berlim, 13 de Novembro de 1933.
Pois neste período, na Igreja Evangélica Alemã, “(…) as suásticas compartilhavam do altar ao lado da cruz, e os cristãos seculares viram Hitler como um profeta para restaurar o cristianismo e a religiosidade do povo alemão. Os cânticos cristãos faziam referências ao ‘Chanceler (Hitler) que vela pela Alemanha, noite e dia, sempre a pensar em nós’. Um dos líderes do movimento, Dr. Reinhold Krause, propôs a eliminação do Antigo Testamento, da moral judaica e a exclusão dos ensinos do rabino Paulo do Novo Testamento, pois não estavam de acordo com os novos padrões culturais e políticos da época’. No entanto, um dos opositores ao nazismo e ao movimento iniciado pela Igreja Evangélica Alemã, pastor Dietrich Bonhoeffer, antes de ser enforcado, exortou as igrejas à não se renderem aos ídolos do mundo moderno“. (A Igreja e a sua missão, Rio de Janeiro/Rio de Janeiro. CPAD. Lição 11)
Konrad Franke, uma Testemunha de Jeová alemã, relata fatos semelhantes: “… Eu tive o privilégio de viajar com o Irmão Albert Wandres de Wiesbaden para Berlim… mas ficamos chocados quando chegamos ao Tennis Hall [a sede da Watchtower em Magdeburg] na manhã seguinte… Quando entramos, vimos o hall enfeitado com bandeiras Suásticas!… quando a reunião começou, foi precedida por uma canção que nós já não cantávamos há muitos anos… as notas eram [retiradas] da melodia de ‘Deutschland, Deutschland, über alles”! ["Alemanha, Alemanha, sobre tudo." Era o hino nacional alemão]. (Penton, M. James. A story attempted compromise. Obra citada. Pág. 50)
Na contramão da tendência das igrejas cristãs, em 1937 o italiano Achille Ratti, então Papa Pio XI acusou o Terceiro Reich de agressivo neopaganismo na encíclica “Mit brennender sorge” e condenou o comunismo em “Divini Redemptoris”. Um ano depois protestou contra o fascismo.

Execussão sumária na Rússia em 1941
Mas dois anos depois, em 1939, Hitler iniciou a 2ª Guerra Mundial, o Papa Pio XI morreu e Eugênio Pacelli se tornou o Papa Pio XII. Em 1940 Pio XII passou a encorajar os católicos a se juntarem aos exércitos nazistas contra os russos.
Em 1941, quando os nazistas cercaram Moscou, matando os homens e estuprando milhares de mulheres, Pio XII pediu aos católicos que rezassem para que brevemente cumprisse a promessa da Senhora de Fátima. Em 1942, quando Hitler declarou ter vencido a Rússia e Pio XII resolveu consagrar o mundo inteiro ao Imaculado Coração de Maria.
Mas isso não foi o suficiente para acabar com o comunismo. Por isso em 1949 o Papa Pio XII publicou uma proclamação histórica declarando que os católicos, se apoiassem o comunismo, receberiam a excomunhão.

Hitler cumprimenta um Cardeal da Igreja Católica.
No livro Odessa ao Sul, o jornalista e escritor argentino Jorge Camarasa, afirma que os criminosos nazistas tiveram ajuda da Igreja Católica para fugir após a 2ª Guerra Mundial. Somente para Argentina foram 40 mil nazistas e 150 criminosos de guerra. Segundo Camarasa os nazistas “foram alojados em monastérios. (…) A igreja [católica] colaborou na fuga de criminosos de guerra porque tinha cumplicidade ideológica com os nazistas. Estava preocupada com um eventual avanço comunista em todo o mundo.” (Livro conta refúgio nazista na Argentina. Jornal Folha de São Paulo. São Paulo/SP. Pág. 1-29. 24 de setembro de 1995)
Anti-semitismo
O catolicismo romano também foi um dos responsáveis pela divulgação do anti-semitismo no Ocidente. Durante a Idade Média, para fazer parte do Tribunal do Santo Ofício, cujo objetivo era manter puro os dogmas da fé católica, um dos requisitos era provar que possuía sangue limpo, que na linguagem inquisitorial significava não descender de judeus.

Abertura da celebração do Bispo Konrad Graf von Preysing, em Berlim no dia 8 de setembro de 1935. Observe as bandeiras do Vaticano e do Nazismo.
Pinchas Lapide observa, em Jesus in two perspectives: a Jewish-Christian dialogue, que “não menos do que noventa e seis conselhos eclesiásticos e cento e catorze papas publicaram editais contra os judeus, ridicularizando, desprezando, deserdando e despojando a todos, tratando-os como párias e levando Israel à beira da destruição.” (As religiões do mundo. São Paulo. Cia Melhoramentos de São Paulo. Pág. 306. 1996)
Em 1937 o presidente mundial das Testemunhas de Jeová escreveu em seu livro Inimigos: “Entre os instrumentos que ela (a Prostituta de Babilônia) usa, estão os homens ultra-gananciosos chamados ‘Judeus’ que só procuram o lucro pessoal”. (Rutherford, J. F. Enemies. The Watchtower Bible & Tract Society. Pág. 281, 1937)
Rutherford em sua Declaração de Fatos enviada a Hitler, menciona os “opressores do Grande Comércio”. Na Declaração ele diz:
“Foram os homens de negócios Judeus do Império Anglo-Americano que estabeleceram e têm mantido os Grandes Negócios como um meio de explorar e oprimir os povos de muitas nações…. Este fato é tão manifesto na América que existe um provérbio a respeito da cidade de Nova Iorque que diz: ‘os Judeus são donos dela, os Católicos Irlandeses governam-na, e os Americanos pagam as faturas.” (1934 Yearbook Of Jehovah’s Witnesses [Anuário das Testemunhas de Jeová de 1934]. Obra Citada. Pág. 134)

Hitler e o núncio papal Bispo Cesare Orsenigo
Em 1995 o bispo de Versalhes, França, monsenhor Jean-Charles Thomas foi obrigado a retirar seu imprimátur (permissão para imprimir texto submetido à censura). Na obra em questão, conhecida por Bíblia das Comunidades Cristãs, foi considerada anti-semita, “os ritos judeus são objetos de sarcasmos vulgares” e “retoma a acusação de deicídio do povo judeu” (assassinos de Deus). (Vaticano desautoriza venda de Bíblia com texto anti-semita. Jornal O Estado de São Paulo. São Paulo/SP. Pág. A23. 23 de março de 1995)
Os mesmos historiadores oficiais do Vaticano qualificaram, em 8 de Setembro de 1999, o livro O Papa de Hitler: a história secreta de Pio XII, de John Cornwell, de “reciclagem de acusações vergonhosas e desacreditadas.” (Livro reforça tese de apoio ao Papa Pio XII a Hitler. Jornal O Estado de São Paulo. São Paulo/SP. Pág. A20. 9 de setembro de 1999)
Autor: Eliy Wellington Barbosa da Silva


