“MAS DEUS LHE DISSE: SEU TOLO! ESTA NOITE VOCÊ VAI MORRER; AÍ QUEM FICARÁ COM TUDO O QUE VOCÊ GUARDOU?” (LUCAS 12.20)
Como essa figura cômica, de olhos esbugalhados e com um pequeno bigode conseguiu arrastar milhões para a destruição? Pense nisso!
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Em 1919, na cidade alemã Munique, foi fundado o Partido Alemão, que após ser reestruturado passou a ser conhecido pela abreviatura alemã Nazismus.
Cerca de dois anos depois, em agosto de 1921, um histriônico, empavonado e inapto ex-cabo do exército (que havia ganho a Cruz de Ferro por bravura, duas vezes) chamado Adolf Hitler tornou-se líder do Partido Nazista, aos 32 anos. Nesta época o Partido tinha apenas 68 membros filiados.
Diante do prestígio do Partido Nazista nas urnas, em 30 de janeiro de 1933, o então presidente Paul L. H. A. B. von Hindenburg ofereceu a Hitler o cargo de Chanceler.
“Com um discurso moderado, Hitler proclamou sua obediência aos princípios tradicionais. A missão do governo, disse, seria ‘restabelecer a unidade de espírito e de vontade do povo alemão’. Como? Protegendo a família, célula constitutiva do povo e do organismo estatal; mantendo o cristianismo…” (Lições do Nazismo. Jornal O Estado de São Paulo. Artigo citado)
Mas cerca de um ano depois aconteceu algo decisivo para subida de Hitler ao poder: o presidente Hindenburg morreu. O Parlamento – então presidido por Hermann W. Goering – deu plenos poderes a Hitler, que passou a acumular os cargos de Chanceler e Presidente.

Com tanto poder político, Hitler resolveu se auto-proclamar Fuhrer, isto é, guia, chefe e condutor. E assim instalou o Terceiro Reich, que pretendia ser um reino de mil anos.
O que levou este completo desconhecido, vesgo e ligeiramente manco a conquistar tanto poder?
Hitler apareceu numa Alemanha derrotada na 1ª Guerra Mundial (1914); humilhada e desonrada pelo Tratado de Versalhes (1919); invadida pela França (1923) que havia tomado o Vale de Rhur, onde ficavam as principais indústrias alemãs; sofria uma das maiores inflações da História, em outubro de 1923 o dólar chegou a valer 8 bilhões de marcos; e cerca de 26,3% da força de trabalho estava desempregada em janeiro de 1933.
Em um momento conturbado e crítico como este, foi fácil para Hitler comover a multidão com seu discurso irado e seus gestos dramáticos. A atriz, bailarina e cineasta oficial do nazismo Leni Riefenstahl, descreveu no seu livro The sieve of time (A peneira do tempo – 1987):
“A primeira vez que ouvi falar de Hitler foi (…) em abril de 1932. Notei como as pessoas ficam emocionadas quando falavam a favor ou contra ele, então fiquei interessada e fui ouvi-lo. Foi como ser atingida por um raio. (…) Quando o ouvi, fiquei imediatamente convencida de que ele poderia nos salvar do abismo que parecíamos estar confrontando.” (Leni Riefenstahl fala de seu amor por Adolf Hitler. Jornal Folha de São Paulo. Artigo citado)
O Fuhrer havia alcançado mais que mera popularidade. Hitler era adulado, idolatrado e adorado por seus seguidores. Era uma religião. Ele havia escrito que “o futuro do movimento (nazista) depende do fanatismo, mesmo da intolerância, com a qual seus adeptos o defenderem como única causa justa e defenderem-na em oposição a quaisquer outros esquemas de caráter semelhante.” (Hitler, Adolf. Minha Luta. Obra citada. Pág. 223)
Em seu livro Por dentro do III Reich, o arquiteto de Hitler, Albert Speer – que foi condenado a 20 anos de prisão pelo tribunal em Nuremberg – registrou:
“Naquela época, eu admirava tais discursos. Certamente, na minha opinião, muito mais pelo conteúdo pensador do que pelo brilho da retórica. Quando entrei em Spandau, pretendia relê-los, quando voltasse à liberdade. Eu supunha encontrar neles algo do meu antigo mundo, quando não me repelira. Vi-me porém desiludido. Os discursos tinham significado muito para mim, naquela época. Agora estão vazios de sentido, sendo superficiais e vãos (…). Não pude compreender por que as palavras de Hitler me impressionaram tão profundamente naquele tempo. A que se devia isso?” (Speer, Albert. Por dentro do III Reich. Obra citada. Pág. 73)
No período em que alcançou o poder, até mesmo na Igreja Evangélica Alemã, “(…) e os cristãos seculares viram Hitler como um profeta para restaurar o cristianismo e a religiosidade do povo alemão. Os cânticos cristãos faziam referências ao ‘Chanceler (Hitler) que vela pela Alemanha, noite e dia, sempre a pensar em nós’.” (A Igreja e a sua missão, Rio de Janeiro/Rio de Janeiro. CPAD. Lição 11)

Era impossível contradizê-lo, seu magnetismo e poder de sugestão, independentes do seu intelecto, eram enormes. Speer afirmou que “aqueles que rodeavam Hitler tinham grande parte de culpa no fato de estar ele convencido cada vez mais de possuir faculdades sobre-humanas.” (Speer, Albert. Por dentro do III Reich. Obra citada. Pág. 276)
Hans De Witz, ex-membro do Serviço Secreto de Hitler, confessou:
“Fiquei extremamente feliz quando Hitler tomou o poder. A inflação na época era devastadora, e nós estávamos sofrendo muitas necessidades, razão por que eu admirava tanto Hitler, julgando-o insuperável. Quando o via ficava arrepiado. Eu o saudava, chegando a imaginar que me encontrava diante do próprio Deus.” (O Guarda-costas. Revista A Voz. Rio de Janeiro/RJ. ADHONEP. N° 76. Artigo de Hanz de Witz)
O filósofo do movimento nazista, era o educador Alfred Rosenberg, também membro da Sociedade Thule, que divulgava a supremacia do povo alemão e fazia de Hitler um super-homem (como o da prosa de Nietzsche). Não somente Hitler tinha essa impressão, depois que Hess fugiu pilotando para a Inglaterra em 1941, vinte cinco anos mais tarde na prisão de Spandau “afirmou com toda seriedade que durante um sonho lhe fora dada a idéia de que possuía forças sobrenaturais.” (Speer, Albert. Por dentro do III Reich. Obra citada. Pág. 207) Hess cometeu suicídio em 1987, aos 93 anos.
Extremamente supersticioso, Hitler via em pequenos incidentes maus presságios. Speer conta que quando o presidente americano Franklin Delano Roosevelt morreu em 1945, Hitler falava às pressas:
“- Houve o grande milagre que eu tinha prognosticado! Quem tinha razão? Leia o senhor! Roosevelt morreu!’
Não podia conter-se. Supunha que se revelara o poder infalível da Providência que o protegia.” (Speer, Albert. Por dentro do III Reich. Obra citada. Pág. 508)
Vinte e um anos antes, Hitler havia declarado: “acredito agora que ajo de acordo com as prescrições do Criador Onipotente. Lutando contra o judaísmo, estou realizando a obra de Deus.” (Hitler, Adolf. Minha Luta. Obra citada. Pág. 52)
Roosevelt morreu de hemorragia cerebral no dia 12 de abril. No dia 30 de abril Hitler e sua amante Eva Braun, juntamente com o pervertido sexual Joseph Goebbels, sua esposa Magda e seus seis filhos, cometerem suicídio.
Interessante é “que aquele ser, tão precioso para milhões de seus patrícios, morreu, derrotado pelos que considerava inferiores e subumanos (os russos).” (Psicanálise tenta explicar nazismo. Jornal Folha de São Paulo. Artigo citado)
No livro “Um modo alemão de amar” (de 1970) os psicanalistas Alexandre e Margarete Mitscherlich constatam que “a grande maioria dos alemães vê o período de dominação nazista como uma imprevista doença infecciosa da infância, ainda que a regressão efetuada coletivamente sob a guarda do ‘Guia’ (…) fosse em princípio prazerosa – era formidável ser um povo de eleitos.” (Psicanálise tenta explicar nazismo. Jornal Folha de São Paulo. Artigo citado)
Autor: Eliy Wellington Barbosa da Silva
- Há fatos históricos que coloca um lider político, como co-responsável, mas na verdade é a propria elite da época que escolher e mantêm. Hitler e tantos outros não passam meros reponsáveis, pois a história dever ser construida na visão dos dominados e dominadores…